sábado, março 25, 2006


Faltava algo...nada lhe surgia, nada lhe sugeria algo.
Tudo era vazio.
Letargia e vazio.
Aquela inexistente força, encomodava a mente
e cuspia lágrimas de tinta, sem criatividade e sem técnica alguma.
Era feio. Aquilo era tão feio.
A tentativa era feia e o medo de tentar era ainda mais.
Já não acreditava em palavras usuais...banais.
Não tinham valor.
Chorava, atrofiava.
Ter-se-ia, talvez, fechado de novo.
Precisava de ser cega por momentos...
precisava de não ter asas...
de não ter acreditado.
Talvez fosse mais fácil.
O tecto era apenas aquele...
E as desculpas teriam de acabar.

segunda-feira, março 20, 2006


A visão foi para além do crepúsculo
como descansar em torno de mim
A luminosidade dispersou-se em lágrimas
e com uma rede envolvi-me nelas.
Talvez a cegueira não seja completa
Talvez as lágrimas lavem a tinta
Talvez as expressões sejam reais
e os regúgios esféricos cristais.
Cinzas acesas e espalhadas de fragmentos
de pensamentos ou momentos inconstantes
interligadas por cortes deliberadamente cortados
de olhares próximos cristalizados.
Inopurtunamente interrompidos os actos
como ligações incompreendidas
Tentações assimiladas e afirmadas
por frases sentidas profundamente.
Enterlaçadas as mãos dialogam
em conversas mudas e secretas
sobre sensações e sentimentos
outrora escondidos e persistentes.

domingo, março 12, 2006


As falas estão tão altas, que os meus ouvidos solitários arrastam os ecos permanentemente. Tirem-me as mãos dos meus olhos, dos meus ouvidos, do meu corpo. Estou em metamorfose e é horrivel sentirem estas transformações. Sou mais um fraco corpo a derreter à chuva sem reparar...
Vejo a melodia de sangue que resta de um qualquer tempo não pensado. E o meu corpo oco cheio de dor, desespera por te sentir mais perto, talvez num local onde se contam segredos.
Ignoro as projecções de beatas espalhadas no chão, quase pecado.
Abraçamo-nos. Fugimos e voltamos.
Este escuro de gotículas de humidade, interrompido por sons incessantemente penetrantes, leva-me a esquecer o espaço. Restam as marcas e as lembranças do que vi, não tenho noção do que penso e do que perco por não o saber.
Aprecio a repetição da queda. Da minha queda. Dos pedaços de mim que caem no chão.
Já não reconheço o reflexo que está no espelho.
Pego num copo vazio e aprecio a sua queda.

quinta-feira, março 09, 2006


As cortinas queimavam a pele, com inevitaveis cortes...não tocando nunca em mim.
Desfaziam-se as verdades e as existências de corpos em fumo.
Faziam arder os meus olhos, aqueles pedaços irrespiráveis de espaços de ninguém.
Escorria no vidro das inexistentes janelas, um choro inacabado e imprecisso, que se prolongava...
Aquela situação sem cor, que vinha de dentro do meu interior, tornava meus passos trémulos.
Pesava a minha cabeça... os labirintos prolongavam-se e alastravam-se à minha volta.
Afinal o tempo não existe... e o fim não quer saber da dor que causa.
Talvez as portas parem de ranger e deixem de espalhar as folhas no chão.
Amachucadas, rasgadas e cansadas de serem riscadas...
Restos de mim, que puxam a visão para uma estrada sem uma qualquer linha de horizonte.

terça-feira, março 07, 2006


O pêndulo não pára... Pára. Pára por favor...
Dá-me tempo para viver e ver todos os momentos,
até ao mais escondido pormenor.
Dá-me tempo pêndulo...
Para eu viver aqui e noutro qualquer lugar.
Dá-me tempo...
Para eu viver aquela escura fantasia.
Mas o pêndulo não pára...
cansado pelo tempo.
Invenção...espaços vazios.
Pára pêndulo! Pára!!!
Dá-me tempo para me esquecer...
Dá-me tempo para desaparecer...
Dá-me tempo para me despedir...

segunda-feira, março 06, 2006


Quando os sonhos possiveis se tornam dificeis ou até impossiveis de alcançar...
O acto de pintar oferece-me ansiedade, constrangimento, proteção e uma estranha e prisioneira liberdade, que eu amo...odeio.
Eu queimo-me, mas voo com asas de fogo...
Deixem-me voar.

Deixem-me sonhar e acreditar no que sonho
em flamejantes chamas dispersas
que me elevam em crenças improváveis
mas que me seguram neste mundo destinado a ruir.

domingo, março 05, 2006


Alguns momentos sao incoerentes, sao pedaços, restos, fragmentos de atitudes irreflectidas.
Tudo cai no chao...
O que é que ficou? Nada...
O que é que isso interessa? Nada...
Apenas a repetição pode não ser repetida...
E a confusão alastra-se em arrastamentos retorcidos.