
As cortinas queimavam a pele, com inevitaveis cortes...não tocando nunca em mim.
Desfaziam-se as verdades e as existências de corpos em fumo.
Faziam arder os meus olhos, aqueles pedaços irrespiráveis de espaços de ninguém.
Escorria no vidro das inexistentes janelas, um choro inacabado e imprecisso, que se prolongava...
Aquela situação sem cor, que vinha de dentro do meu interior, tornava meus passos trémulos.
Pesava a minha cabeça... os labirintos prolongavam-se e alastravam-se à minha volta.
Afinal o tempo não existe... e o fim não quer saber da dor que causa.
Talvez as portas parem de ranger e deixem de espalhar as folhas no chão.
Amachucadas, rasgadas e cansadas de serem riscadas...
Restos de mim, que puxam a visão para uma estrada sem uma qualquer linha de horizonte.

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