
As falas estão tão altas, que os meus ouvidos solitários arrastam os ecos permanentemente. Tirem-me as mãos dos meus olhos, dos meus ouvidos, do meu corpo. Estou em metamorfose e é horrivel sentirem estas transformações. Sou mais um fraco corpo a derreter à chuva sem reparar...
Vejo a melodia de sangue que resta de um qualquer tempo não pensado. E o meu corpo oco cheio de dor, desespera por te sentir mais perto, talvez num local onde se contam segredos.
Ignoro as projecções de beatas espalhadas no chão, quase pecado.
Abraçamo-nos. Fugimos e voltamos.
Este escuro de gotículas de humidade, interrompido por sons incessantemente penetrantes, leva-me a esquecer o espaço. Restam as marcas e as lembranças do que vi, não tenho noção do que penso e do que perco por não o saber.
Aprecio a repetição da queda. Da minha queda. Dos pedaços de mim que caem no chão.
Já não reconheço o reflexo que está no espelho.
Pego num copo vazio e aprecio a sua queda.

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