
Já nada havia a dizer, a proferir, a tentar. Hoje o silêncio prolonga-se, invade e hipnotiza a minha mente. Não me deixa ver...mas sinto. Não faz sentido, nada disto faz sentido. Mas continua a subir e a deixar para trás restos de mim...quero fugir deste silêncio, antes que me faça desaparecer, me transforme em espuma.
Devolvo os sentidos às suas origens e procuro luz no interior de um corpo letárgico, para que o ocupe posteriormente... Mas as paredes começam a cair e não me lembro de entrar aqui. Estranha sensação de ver cair, de sentir cair e não ouvir a queda.
Aquele silêncio parece saber queimar a alma tumultosa e arrastar o frio dos meus olhos...Tira-me o silêncio e o frio e o fraco! Estou cansada de ver escorrer o silêncio nestas paredes de ruína e neste templo de tempo perdido, que não quer desistir de existir.
E eu danço enquanto desapareço...na melodia mordaz deste doloroso silêncio, neste espaço sem espaço, neste templo de ninguém, nesta morte de aparências, neste local de restos de todos mas de ninguém.

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