sexta-feira, junho 23, 2006

Doentio


A poesia estava lá dentro...presa numa certa fita transparente, de onde a visão, de olhar fechado, conseguia captar aqueles momentos únicos de subjectividade, de pressão do interior de vários reflexos em espelhos explodidos. A multiplicidade de simbolos era inevitável e o abandono da realidade visivel era contrastante com certas sensações e sentimentos presos a algo superior à subjectividade...
E aquela fita transparente continuava a enrolar-se ainda mais, sufocando os meus gestos outrora fluídos como um ribeiro de água que passa e continua a passar. Tomaria a minha mente de branco...demasiadamente branco. Doentio.
As tentativas deixaram de existir...e a poesia deixou de fluir.
E as folhas continuam brancas...demasiadamente brancas, demasiadamente estácticas, demasiadamente...Doentio.
Medo do vazio?
Doentio.

domingo, junho 18, 2006

Vazio


Que vazio distorcidamente irritante é este, que se apoderou de mim, da minha mente, da minha alma? Que tornou a minha imaginação um ermo limitado...que saturou a minha mão com falhas e devaneios...que se apoderou do que sonhava já ter, mas não tenho. Agora ficaram ainda mais longínquas.
Que lição me queres dar Vazio? Porque me queres enlouquecer de novo? Porque é que fazes com que me sinta nua? Porquê?
Estou parada...porque é que não me deixas usar os meus membros para sair deste odioso local? Estou cansada...as metamorfoses, as elevações, as evoluções não existem, ou não correspondem aos meus desejos.
Desaparece...dava-te algo em troca para que o fizesses, mas nada tenho. Mas peço-te...desaparece. E que em teu lugar nasça algo que não me faça espalhar lágrimas de rancor por mim própria.
Deixa-me gostar de mim...ou pelo menos deixa-me expressar quem sou.