Rastejava entre as sombras que haviam crescido à sua volta, na sua mente e entre os seus gritos momentâneos, estridentes, sós.
Segredava algo para si mesmo na esperança de ter um segredo, de não estar exposto a doenças de palavras vermelhas.
Sentia as suas formas dispersarem-se em voos descompensados, que rodavam ao longo das suas incertezas e alucinações, das suas limitações.
Estava partido e pisava o limite do calor da procura.
Uma esfera transparente estava pousada nos seus olhos tom de mel, que pareciam morrer olhando para cima em busca de uma metáfora inexistente.
O vento transportava um odor a lavanda hipnotizante, que se infiltrava nas suas peles, no seu olhar...
A esfera brilhante transformara-se em espiral violeta, que, lentamente,ia tingindo aqueles olhos que agora sobrevivem.


