segunda-feira, agosto 21, 2006

Desenho Perfeito

Tu és o desenho perfeito, que um dia gostaria de fazer. De conseguir fazer.
Persegues a minha mente desde tempos inememoráveis.
Mas nunca te consegui fazer, desenho perfeito.
Talvez no fim. Ou talvez tu sejas o meu fim. Ou o meu recomeço.
Mas agora sou incapaz.
És exigente, desenho perfeito. Demasiado exigente?
As tentativas são desperdícios.
És demasiado especial. Não chegou a tua hora de nasceres. De apareceres.
Continuo à espera de ti.
Porque tu és o desenho perfeito, que um dia irei fazer.

segunda-feira, agosto 14, 2006


Tocava no horizonte com um dos seus dedos esguios,
tentando que o dia permanecesse,
que o amanhã não chegasse,
que a luz continuasse a preencher aquela sua alma.
Olhava o céu procurando um caminho de nuvens,
que os levassem,
a ela e a ele,
para um qualquer lugar onde a distância não exista.
A distância não existe...apenas existe quando se quer.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Caminho Branco



As formas desapareciam constantemente do seu interior,
naquele branco ténue, mas ao mesmo tempo assustador.
Caminhava por passos do passado, já repisados
e por outrém ultapassados.
Nada havia de novo, nada parecia original.
Já nada se criava...
apenas se repetiam soluções.
Caíra-se no banal.
Mas o caminho dos mortos continuava...

sexta-feira, agosto 04, 2006

Lua


Dizem que a Lua é falsa devido à luz que nos imprime nos olhos, por ser apenas um espelho reflectindo a luz do Sol. Então, todos nós somos falsos. Todos reflectimos as nossas vivências, mas estas tiveram a influência de imensas pessoas, que fomos sugando aos poucos em silêncio. Aquele que absorve todas as palavras, as que algo significam e as que caem ao chão encontáveis vezes, sem um qualquer espírito. Todos nós somos multi-reflexos. Todos nós nos construímos a partir de luzes de alguém ou de algo. Resta-nos a escolha. Resta-nos os efeitos dessa escolha.
Dizem que a Lua é inconstante devido às diferentes formas que toma.As diferentes formas são partes integrantes de um ciclo. Todos nós somos inconstantes. Quando nascemos somos um quarto crescente no seu aureo começo, passando, talvez, para a fase de lua cheia, decrescendo até desaparecermos e iniciarmos outro ciclo...
A Lua, essa que ilumina a escuridão da noite, é simplesmente a Lua.
Eu, vejo o meu reflexo nela.