já me esqueço de tudo um pouco
falo sem sentido
tenho um buraco na mão
e uma ferida guardada no meu bolso roxo
estarei a ficar louca?
não ouves?
a comichão é insuportável
e todas as pessoas passam sem olhar para o céu
já não olhava para ti à tanto tempo...
tenho saudades do tempo
desse tempo.
tenho saudades de longos banhos flutuantes
quais lebres fora de si?
estarei a ficar louca?
as conversas não o são.
quero o tempo de ontem
e a noite de amanhã.
amanhã é sempre amanhã.
tenho saudades de pessoas que tenho
e saudades de pessoas que não tenho.
tenho saudades de pessoas.
estarei a ficar louca?
as garrafas de vidro cintilam na minha varanda
ao som do vento multicolor
e então?
tu chegas com o teu olhar extremo
e mudas
quero
estarei a ficar louca?
segunda-feira, junho 25, 2007
segunda-feira, maio 28, 2007
Pregaram tábuas
Pregaram tábuas nas portas,
sentei-me aqui fora.
Ontem não aqui estavam...
Queria ver se o nosso espelho
permanecia...
Faz-me falta o reflexo.
Fumo agora um cigarro....
Lembras-te daquela tarde,
em que nos perdemos em fumo?
O vaso precisa de água...
vai morrer aquela flor.
Ficaste aí dentro?
Arranca as tábuas...
Queria ver se o nosso reflexo
permanece.
Entrelaço as mãos...
costumávamos entrelaçar-nos
no sofá de veludo sangue.
Ainda somos sangue?
Diz-me que sim...
Acho que tenho o nosso caderno
pousado no sofá.
Queria escrever um texto contigo.
Pregaram tábuas nas janelas, nas portas.
Arranca-as...
Sei que estás aí dentro.
Foste tu?
sentei-me aqui fora.
Ontem não aqui estavam...
Queria ver se o nosso espelho
permanecia...
Faz-me falta o reflexo.
Fumo agora um cigarro....
Lembras-te daquela tarde,
em que nos perdemos em fumo?
O vaso precisa de água...
vai morrer aquela flor.
Ficaste aí dentro?
Arranca as tábuas...
Queria ver se o nosso reflexo
permanece.
Entrelaço as mãos...
costumávamos entrelaçar-nos
no sofá de veludo sangue.
Ainda somos sangue?
Diz-me que sim...
Acho que tenho o nosso caderno
pousado no sofá.
Queria escrever um texto contigo.
Pregaram tábuas nas janelas, nas portas.
Arranca-as...
Sei que estás aí dentro.
Foste tu?
quarta-feira, abril 04, 2007
Faca de Luz
Ilumina os meus reflexos nesses vidros perdidos...
Ilumina aquele interior que um dia escondeste,
trespassa-me com uma faca de luz e deixa-me aqui,
mas escolhe-a cuidadosamente, escolhe-a vagarosamente...
Não vou a lado nenhum, nunca fui,
continuarei aqui até me espetares essa faca,
até iluminares o interior deste meu corpo partido,
até me empurrares para que saia deste estado sonânbulo.
Ilumina estes vidros, eleva-os...
Deixaste-me uma noite aqui, sozinha,
deste-me apenas silêncio e vazio.
Ilumina-me e eleva-me, não mais me faças esperar.
Já aqui estiveste...vem para dentro.
Quero sentir-me preenchida, quero sentir-me completa.
Não me deixes de novo à espera...
a espera torna-se longa quando se está só.
Ilumina aquele interior que um dia escondeste,
trespassa-me com uma faca de luz e deixa-me aqui,
mas escolhe-a cuidadosamente, escolhe-a vagarosamente...
Não vou a lado nenhum, nunca fui,
continuarei aqui até me espetares essa faca,
até iluminares o interior deste meu corpo partido,
até me empurrares para que saia deste estado sonânbulo.
Ilumina estes vidros, eleva-os...
Deixaste-me uma noite aqui, sozinha,
deste-me apenas silêncio e vazio.
Ilumina-me e eleva-me, não mais me faças esperar.
Já aqui estiveste...vem para dentro.
Quero sentir-me preenchida, quero sentir-me completa.
Não me deixes de novo à espera...
a espera torna-se longa quando se está só.
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