Pregaram tábuas nas portas,
sentei-me aqui fora.
Ontem não aqui estavam...
Queria ver se o nosso espelho
permanecia...
Faz-me falta o reflexo.
Fumo agora um cigarro....
Lembras-te daquela tarde,
em que nos perdemos em fumo?
O vaso precisa de água...
vai morrer aquela flor.
Ficaste aí dentro?
Arranca as tábuas...
Queria ver se o nosso reflexo
permanece.
Entrelaço as mãos...
costumávamos entrelaçar-nos
no sofá de veludo sangue.
Ainda somos sangue?
Diz-me que sim...
Acho que tenho o nosso caderno
pousado no sofá.
Queria escrever um texto contigo.
Pregaram tábuas nas janelas, nas portas.
Arranca-as...
Sei que estás aí dentro.
Foste tu?
segunda-feira, maio 28, 2007
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